Super Sentai Galvanizado em Gavan Infinity
Gavan, Super Sentai Galvanizado
A Toei finalmente fez aquilo que muitos temiam e outros já esperavam. Aplicou sua fórmula de supersentaização nos Metal Hero. E, assim como aconteceu com Kamen Rider, o herói solitário ganhou companhia, gadgets mais chamativos e trajes mais coloridos. Além disso, os devices agora têm clara aparência de brinquedo. Portanto, a mudança não é sutil. Ela é estrutural.
Se antes Gavan representava o policial espacial de armadura metálica e postura séria, agora ele divide espaço. Há mais membros. Há mais poses. E, consequentemente, há mais foco comercial. Ao mesmo tempo, a série mistura o formato episódico de exploração espacial, quase no estilo Star Trek, com o atual fascínio pelos multiversos. E não para por aí. A narrativa ainda flerta com conceitos que lembram a organização cósmica da DC Comics, inclusive sugerindo uma espécie de “Kal-El japonês” dentro da mitologia.
Isso não é necessariamente ruim. Porém, é claramente uma mudança de identidade.
Makuu, multiverso e as novas engrenagens do conflito
Nos dois primeiros episódios, já percebemos que a clássica organização criminosa retorna. No entanto, ela agora se esconde em um setor espacial chamado Makuu. E, segundo a própria explicação da série, é nesse ponto que os universos se encontram. Portanto, Makuu deixa de ser apenas uma ameaça local. Ele vira um eixo dimensional.
Além disso, surgem criaturas curiosas. Pequenos seres que lembram baterias vivas. Visualmente simples, mas conceitualmente interessantes. Eles armazenam energias emocionais. E, por consequência, podem conceder habilidades especiais aos alienígenas que vivem na Terra entre os humanos. Essa ideia adiciona um componente quase místico à tecnologia, algo que não era tão evidente nos Metal Hero clássicos.
Por outro lado, cada universo parece possuir seu próprio Gavan. Isso reforça a ideia de que o herói é uma constante cósmica. Entretanto, acima deles está o Gavan Infinity. Ele é o único capaz de cruzar dimensões. Logo, assume uma posição quase messiânica dentro da narrativa. Essa escolha amplia o escopo da história. Contudo, também aproxima o personagem de arquétipos já bastante explorados na cultura pop recente.
Entre a nostalgia metálica e a armadura colorida
Como fã dos Metal Hero antigos, eu sinto um conflito claro. Por um lado, é empolgante ver Gavan novamente no centro de um grande projeto. A escala aumentou. O orçamento parece maior. E a ambição narrativa é evidente. Além disso, o conceito de múltiplos Gavans é interessante e permite histórias paralelas, ainda que provavelmente o Gavan Infinity esteja sempre no centro.
Por outro lado, a essência mudou. A seriedade deu espaço ao dinamismo colorido. A sobriedade tecnológica abriu caminho para gadgets que piscam demais. E, embora isso dialogue com o público infantil atual, também afasta parte do charme original. Afinal, os Metal Hero sempre tiveram uma atmosfera mais direta, quase policial. Agora, a sensação é de espetáculo constante.
Ainda assim, reconheço que a Toei tenta equilibrar passado e futuro. A mitologia foi expandida. O universo cresceu. E a proposta é ousada. No entanto, o verdadeiro desafio será preservar o espírito metálico dentro dessa engrenagem multiversal cheia de cores.
Se conseguirem manter o peso dramático sob a nova estética, teremos algo memorável. Caso contrário, Gavan Infinity corre o risco de se tornar apenas mais um herói vermelho em meio a tantos outros.
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